Seguro viagem para a Argentina: o que o país exige e quanto de cobertura levar

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Se você trata uma hipertensão, controla um diabetes ou já passou por um câncer, a dúvida que leva a pesquisar seguro de vida doença preexistente costuma ser a mesma: a seguradora vai pagar quando a família precisar? A resposta curta é que a doença não impede a contratação. O que decide o pagamento é a declaração de saúde.

Para quem pesquisa seguro viagem Argentina antes das férias, a resposta é direta: o seguro deixou de ser só recomendação e passou a ser exigência legal. E como o país não fixa valor mínimo de cobertura, quanto contratar é uma decisão que precisa partir do roteiro, e não do menor preço por dia.

Para a Argentina é obrigatório?

Sim. O Decreto 366/2025 determina que o estrangeiro que pede admissão no país, em qualquer categoria migratória, apresente uma declaração jurada informando o motivo da viagem e que conta com seguro de saúde para atender às suas necessidades médicas. A regra vale para o turista brasileiro, inclusive para quem entra só com a carteira de identidade.

Em 2025, a própria chancelaria argentina informou que a forma de cobrança dessa declaração ainda dependia de regulamentação. A exigência, porém, está na lei. Por isso, o mais prudente é viajar com o comprovante da apólice à mão, impresso ou no celular, para apresentar se ele for pedido no controle migratório.

Carta verde Argentina: carro em viagem por estrada rumo à fronteira

O que muda na prática: atendimento pago nos hospitais nacionais

Sem seguro, o atendimento que não for de emergência passa a ser pago antes, na rede administrada pelo governo nacional argentino. É o que estabelece a Resolução 1066/2026 do Ministério da Saúde da Argentina, que regulamentou o decreto.

Pela regra, o estrangeiro sem residência permanente precisa apresentar um seguro de saúde válido ou pagar previamente a prestação para receber atendimento habitual, como consultas, exames e procedimentos programados. Quando o paciente tem seguro, o hospital notifica a seguradora em até 24 horas e fatura o atendimento diretamente para ela. O atendimento de emergência continua garantido a qualquer pessoa, com ou sem seguro.

A diferença entre ter e não ter a apólice, portanto, aparece no balcão: com seguro, a conta vai para a seguradora; sem seguro, o orçamento é apresentado ao viajante e precisa ser pago antes do procedimento.

Quanto de cobertura levar para a Argentina

A lei argentina não fixa valor mínimo, então a cobertura é uma decisão de quem viaja. Ela precisa responder ao que pode dar errado naquele roteiro, e não apenas cumprir a declaração de entrada.

Uma referência objetiva ajuda. Para a Europa, o Espaço Schengen exige no mínimo 30 mil euros em despesas médicas, como explicamos no artigo sobre a cobertura mínima do seguro viagem para a Europa. A Argentina não tem regra equivalente, e usar essa referência como ponto de partida evita contratar uma apólice que existe só no papel.

O que conferir na apólice antes de viajar para a Argentina
Item da apólice Por que importa na Argentina
Limite de despesas médico-hospitalares É o que o hospital nacional fatura para a seguradora, ou cobra antes de quem não tem seguro
Traslado e remoção médica Roteiros de montanha e de longa distância, como Patagônia e Cordilheira, podem exigir remoção até um centro maior
Esportes e atividades da viagem Quem vai esquiar ou fazer trilha precisa conferir se a atividade está coberta antes de embarcar
Doença preexistente O tratamento dessa cobertura varia entre apólices e precisa ser lido nas condições
Vigência e comprovante A apólice precisa cobrir todos os dias da viagem, e o comprovante sustenta a declaração exigida pelo decreto

Idade dos viajantes e duração da estadia completam a conta. Na Continente, a cotação de seguro de viagem em Florianópolis parte justamente desses itens, e não do preço por dia.

Como acionar o seguro viagem durante a viagem

Fora da emergência, acione a central de assistência da apólice antes de procurar atendimento. É ela que indica onde ir e organiza o pagamento com o prestador, o que pode evitar que você precise adiantar a despesa.

Em emergência, a ordem se inverte: primeiro o atendimento, depois o aviso. Ainda assim, o aviso não pode esperar a volta ao Brasil. A Lei 15.040/2024, que rege os seguros contratados no país, obriga o segurado a avisar prontamente a seguradora sobre o sinistro e a seguir as instruções dela (art. 66).

Se for preciso pagar alguma despesa e pedir reembolso depois, guarde recibos, notas fiscais e relatórios médicos de tudo. Com a documentação completa entregue, a seguradora tem até 30 dias para se manifestar sobre a cobertura e, ao ser reconhecida a cobertura, mais até 30 dias para pagar (arts. 86 e 87).

Seguro viagem Uruguai: turistas caminham por rua histórica de Colonia del Sacramento

E o Uruguai e o Chile?

Até a data desta atualização, nem o Uruguai nem o Chile exigiam seguro viagem de turistas brasileiros na entrada. Fazer parte do Mercosul ou ter acordo de circulação com o Brasil facilita a entrada com documento de identidade, mas não muda o fato de que atendimento médico fora do país é pago por alguém, e sem seguro esse alguém é o viajante.

Regras de entrada mudam, como a própria Argentina mostrou em 2025. Antes de embarcar para qualquer destino, vale conferir as exigências atualizadas do país no Portal Consular do Itamaraty.

Indo de carro: a carta verde é outro seguro

Quem atravessa a fronteira dirigindo precisa de dois seguros diferentes, e um não substitui o outro. O seguro viagem protege as pessoas. A carta verde protege terceiros atingidos pelo seu veículo.

Segundo a SUSEP, a carta verde é um seguro obrigatório, instituído pelo Grupo Mercado Comum do Mercosul, para veículos registrados no Brasil que entram nos países membros do bloco, incluindo carros, motos, reboques e motor homes. Ela cobre morte, danos pessoais, despesas médico-hospitalares e danos materiais causados a terceiros não transportados. Não cobre o motorista, os passageiros nem o próprio veículo.

Três seguros que se confundem em viagem de carro
Seguro Quem ele protege Quando é exigido
Seguro viagem Você e quem viaja com você, em despesas médicas Na Argentina, pelo Decreto 366/2025
Carta verde Terceiros não transportados atingidos pelo veículo Para veículo registrado no Brasil nos países do Mercosul
Seguro do carro O próprio veículo Não é exigido; vale no exterior só se a apólice tiver extensão para o país

Para quem sai de Santa Catarina, a fronteira seca com a Argentina passa pelo próprio estado, em Dionísio Cerqueira, no extremo oeste. A carta verde precisa ser emitida antes de cruzar, com vigência que cubra todos os dias em território estrangeiro.

Para a Argentina, o comprovante do seguro resolve a entrada. O que resolve a viagem é o limite de despesas médicas, a remoção e a cobertura das atividades que você vai fazer lá.

Maickel Coelho, corretor de seguros registrado na SUSEP sob o nº 201007771 e responsável técnico da Continente Corretora de Seguros, sobre a escolha do seguro viagem.

Seu seguro viagem cobre o que a Argentina passou a cobrar?

Sem seguro, atendimento não urgente em hospital nacional argentino é pago antes, e a Continente cota seu seguro viagem e a carta verde.

Quero cotar meu seguro viagem

Perguntas frequentes

Brasileiro precisa de seguro viagem para entrar na Argentina?

Sim. Desde 29 de maio de 2025, o Decreto 366/2025 exige que o estrangeiro apresente, para entrar na Argentina, uma declaração jurada informando o motivo da viagem e que tem seguro de saúde. A regra vale para turistas brasileiros, inclusive para quem entra com carteira de identidade. Leve o comprovante da apólice impresso ou no celular.

Qual é a cobertura mínima de seguro viagem para a Argentina?

A Argentina não fixa valor mínimo. Como referência, o Espaço Schengen exige no mínimo 30 mil euros em despesas médicas para a Europa, e partir desse patamar evita contratar uma apólice que só cumpre a declaração de entrada. O valor adequado depende ainda do roteiro, da idade dos viajantes e das atividades previstas, como esqui e trilhas.

O que acontece se eu precisar de hospital na Argentina sem seguro?

Nos hospitais administrados pelo governo nacional argentino, o estrangeiro sem residência permanente e sem seguro paga antes o atendimento que não for de emergência, como consultas, exames e procedimentos programados, conforme a Resolução 1066/2026 do Ministério da Saúde. O atendimento de emergência continua garantido a qualquer pessoa.

Seguro viagem é obrigatório para o Uruguai?

Até a data desta atualização, o Uruguai não exigia seguro viagem de turistas brasileiros na entrada. Ainda assim, atendimento médico fora do país é pago, e sem seguro quem paga é o viajante. Quem vai de carro precisa da carta verde, obrigatória para veículos registrados no Brasil nos países do Mercosul.

A carta verde substitui o seguro viagem?

Não. A carta verde cobre danos causados a terceiros não transportados pelo veículo, como pedestres e outros carros. Segundo a SUSEP, ela não cobre o motorista, os passageiros nem o próprio veículo. As despesas médicas de quem viaja dependem do seguro viagem, que é a cobertura exigida pela Argentina.

Por Maickel Coelho, corretor de seguros registrado na SUSEP e responsável técnico da Continente Corretora de Seguros. Última atualização: outubro de 2026. Fontes: Decreto 366/2025 e Resolução 1066/2026 do Ministério da Saúde da Argentina; SUSEP. 

Autor:

Maickel Coelho

Maickel Coelho é corretor de seguros registrado na SUSEP sob o nº 201007771, em nome de Maickel Marcelino Coelho, e responsável técnico da Continente Corretora de Seguros, corretora com cadastro ativo na SUSEP sob o nº 202023930. Atende clientes em Florianópolis, São José, Palhoça e demais cidades da Grande Florianópolis. Trabalha com seguros de danos e de pessoas, incluindo automóvel, residencial, condomínio, empresarial, responsabilidade civil profissional, frota de veículos, vida e viagem. No blog da Continente, escreve sobre coberturas, condições de apólice e os pontos que costumam ser mal compreendidos na hora de contratar.

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